Há uma ideia que muitas mulheres aprenderam silenciosamente: cuidar bem significa continuar independentemente de como estamos.
Se estamos cansadas, continuamos.
Se estamos preocupadas, continuamos.
Se alguma coisa nos magoou, engolimos e continuamos.
Se precisamos de ajuda, tentamos primeiro resolver sozinhas.
Afinal, há uma casa para cuidar, filhos que precisam de nós, trabalho, casamento, compromissos e uma longa lista de coisas que aparentemente não podem esperar.
Mas existe uma pergunta que precisamos fazer: O que acontece quando a mulher que sustenta tantas coisas começa a ficar emocionalmente sem espaço para sustentar a si mesma?
Cuidar da saúde emocional não significa colocar as nossas emoções no centro da família.
Também não significa abandonar responsabilidades sempre que estamos cansadas.
Significa reconhecer que Deus nos criou como seres completos — corpo, mente, emoções e espírito — e que aquilo que acontece dentro de nós influencia inevitavelmente a maneira como servimos, falamos, corrigimos, decidimos e nos relacionamos.
As emoções não são inimigas.
Às vezes tratamos emoções difíceis como algo que simplesmente precisa desaparecer.
“Não devia estar irritada.”
“Não devia estar triste.”
“Tenho tantas coisas boas, não devia sentir-me assim.”
Mas uma emoção não é automaticamente uma ordem.
Sentir irritação não significa que precisamos responder com agressividade.
Sentir medo não significa que precisamos obedecer ao medo.
Sentir tristeza não significa falta de fé.
As emoções podem trazer informação.
Talvez a irritação esteja a revelar cansaço acumulado.
Talvez a ansiedade esteja a revelar algo que estamos desesperadamente a tentar controlar.
Talvez a tristeza esteja ligada a uma perda que nunca tivemos espaço para processar.
Antes de tentar silenciar aquilo que sentes, pergunta “O que esta emoção está a querer mostrar-me?”
Leva a verdade do teu coração para Deus
O Salmo 62:8 diz:
“Derramai perante ele o vosso coração.”
A Bíblia não nos apresenta uma relação com Deus baseada em fingimento.
Os Salmos estão cheios de medo, frustração, tristeza, dúvida, esperança, gratidão e confiança.
Deus não precisa de uma versão editada de nós.
Podemos chegar diante d’Ele e dizer:
- “Senhor, estou cansada.”
- “Estou preocupada.”
- “Estou irritada.”
- “Estou magoada.”
- “Não sei como resolver isto.”
A oração não serve apenas para pedir que Deus mude as circunstâncias.
Também é o lugar onde permitimos que Ele trabalhe em nós enquanto as circunstâncias ainda não mudaram.
Identifica aquilo que está realmente pesado
Quando tudo parece demais, é fácil dizer: “A minha vida está uma confusão.”
Mas isso não nos ajuda a agir.
Torna o peso específico.
O que está difícil?
- É o trabalho?
- Uma relação?
- A quantidade de decisões que tens de tomar?
- A desorganização da casa?
- Uma preocupação com um filho?
- Falta de descanso?
- Uma responsabilidade que deveria estar partilhada?
Quando conseguimos dar nome ao peso, começamos a perceber o que pode ser feito.
Algumas coisas precisam ser resolvidas.
Outras precisam ser conversadas.
Algumas precisam ser delegadas.
E outras simplesmente precisam ser entregues a Deus porque não estão sob o nosso controlo.
Aprende a distinguir responsabilidade de controlo
Existe uma diferença entre sermos responsáveis e sentirmos que precisamos controlar tudo.
Responsabilidade pergunta: “O que me cabe fazer?”
Controlo pergunta: “Como faço para garantir que tudo acontece exactamente como eu quero?”
A primeira conduz à diligência.
A segunda frequentemente conduz à exaustão.
Podemos orientar os filhos sem controlar todas as escolhas que farão.
Podemos organizar a casa sem exigir que nunca exista desordem.
Podemos fazer a nossa parte num relacionamento sem controlar a reacção da outra pessoa.
Podemos planejar sem controlar o futuro.
Há paz em reconhecer: “Isto é minha responsabilidade. Aquilo não é.”
Colocar limites também é cuidar
Dizer “não” pode parecer desconfortável para uma mulher habituada a servir.
Mas um “sim” dado a tudo acaba muitas vezes por produzir um “não” involuntário àquilo que realmente importa.
Não conseguimos estar em todo lado.
Não conseguimos resolver todos os problemas.
Não conseguimos aceitar todos os compromissos.
Os limites não existem para nos tornar egoístas.
Existem para nos ajudar a usar com sabedoria os recursos que Deus nos confiou.
- Tempo.
- Energia.
- Atenção.
- Corpo.
- Emoções.
Pede ajuda antes de chegares ao limite
Muitas vezes pedimos ajuda quando já estamos ressentidas por ninguém ter percebido que precisávamos dela.
Mas quem vive connosco nem sempre consegue adivinhar aquilo que estamos a carregar.
Talvez seja necessário dizer:
- “Preciso que assumas esta tarefa.”
- “Esta semana estou mais cansada; podemos simplificar?”
- “Preciso de meia hora sem interrupções.”
- “Vamos dividir esta responsabilidade?”
Pedir ajuda não elimina o nosso papel no lar.
Pode permitir-nos cumpri-lo de maneira mais sustentável.
Cria pequenos espaços de recuperação
Descanso emocional nem sempre significa férias.
Pode começar em coisas muito pequenas.
- Dez minutos sem estímulos.
- Um passeio.
- Escrever aquilo que está na cabeça.
- Orar antes de reagir.
- Falar com alguém seguro.
- Tomar uma refeição sentada sem fazer simultaneamente outras três coisas.
- Ter um horário em que o telemóvel fica longe.
Não subestimes pequenos momentos de recuperação repetidos de forma consistente.
Não transformes descanso em recompensa
Existe uma ideia perigosa: “Descanso quando terminar.”
Só que, num lar, raramente tudo termina.
- A roupa volta.
- A loiça volta.
- As refeições voltam.
- As necessidades voltam.
Se o descanso depender de uma lista completamente concluída, ele continuará sempre adiado.
Descansar não é uma recompensa por seres produtiva.
É parte daquilo que te permite continuar a ser diligente.
Vigia aquilo que estás a alimentar dentro de ti
Provérbios 4:23 diz:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração.”
Aquilo que consumimos alimenta o nosso mundo interior.
- As conversas.
- As comparações.
- Aquilo que vemos constantemente nas redes sociais.
- As preocupações que repetimos mentalmente.
- Os ressentimentos que revisitamos.
Guardar o coração também significa seleccionar aquilo a que damos espaço.
Nem tudo merece viver dentro de nós.
Não carregues sozinha aquilo que precisa de acompanhamento
Há períodos de maior fragilidade emocional que fazem parte da vida.
Mas sofrimento persistente ou intenso merece atenção.
Procurar apoio de uma pessoa madura, de líderes de confiança ou de um profissional habilitado quando necessário não representa ausência de fé.
Sabedoria também é reconhecer quando precisamos de ajuda.
O teu lar não precisa de uma mulher que nunca sente
Precisa de uma mulher que está a aprender a lidar com aquilo que sente de maneira sábia.
- Que sabe parar antes de reagir.
- Que pede perdão quando reage mal.
- Que comunica.
- Que estabelece limites.
- Que ora.
- Que descansa.
- Que procura ajuda.
- Que não exige de si mesma uma capacidade que Deus nunca lhe pediu.
Cuidar da saúde emocional não significa viver centrada em nós mesmas.
Significa não permitir que aquilo que ignoramos dentro de nós governe silenciosamente a maneira como tratamos aqueles que amamos.
Exercício desta semana
Reserva alguns minutos e escreve:
- O que estou a sentir?
- O que mais tem ocupado a minha mente?
- O que está sob a minha responsabilidade?
- O que preciso entregar a Deus?
- O que preciso conversar com alguém?
- O que posso simplificar nesta semana?
Não precisas resolver tudo hoje.
Talvez o teu primeiro passo seja apenas reconhecer aquilo que tens carregado.
Oração
Senhor,
Tu conheces aquilo que existe dentro de mim mesmo antes de eu conseguir colocar em palavras.
Mostra-me aquilo que tenho carregado em silêncio.
Dá-me sabedoria para distinguir aquilo que devo enfrentar daquilo que preciso entregar.
Ensina-me a estabelecer limites sem culpa, a pedir ajuda com humildade e a cuidar do meu coração sem abandonar aquilo que me confiaste.
Que as minhas emoções não governem as minhas atitudes, mas que eu também não viva a ignorá-las.
Guarda o meu coração e renova a minha mente.
Que a paz que encontro em Ti alcance também aqueles que vivem comigo.
Em nome de Jesus.
Amém.
Qual destas áreas mais precisas trabalhar agora: descanso, limites, pedir ajuda ou entregar preocupações a Deus?
Partilha nos comentários.
